16/08/2017

É preciso investir em gestão do conhecimento

por Redação

A revolução no acesso à informação levou autores a afirmar que vivemos em uma sociedade do conhecimento. Muitos avaliam que o sistema educacional precisa passar por profundas mudanças, para que escolas e universidades se adequem aos novos paradigmas. O fundador do Centro de Referência em Inteligência Empresarial ‒ laboratório para inovação e empreendedorismo da Coppe/UFRJ ‒, Marcos Cavalcanti, avalia que as práticas tradicionais de educação corporativa também devem ser revistas.

A educação corporativa precisa mudar?

Ela precisa se adequar às mudanças do mercado. As informações e competências essenciais para uma organização se encontram, cada vez mais, fora delas. É preciso estruturar e preparar as organizações para lidar com este ambiente complexo e conectado. E isso exige novas competências organizacionais e uma nova abordagem para a educação corporativa.

Qual seria a nova abordagem?

Um dos equívocos mais frequentes é que os cursos e as atividades são realizados a partir das demandas dos funcionários e não da realidade objetiva da empresa. A educação corporativa deve estar ancorada nas necessidades estratégicas da organização. Não deveria ser medida por números de horas e/ou de pessoas treinadas, mas em termos dos resultados concretos obtidos com as diferentes atividades educacionais.

Por que se faz tão importante a gestão do conhecimento?

O conhecimento é o principal fator para se produzir riqueza na sociedade. A gestão dos fatores tradicionais de produção (terra, capital, matéria-prima, energia) é importante, mas a maior parte do valor entregue por uma organização à sociedade vem do conhecimento. Gerenciar os fatores tradicionais e não fazer a gestão do conhecimento é um caminho certo para o fracasso de uma empresa no atual cenário.

Mas ela é feita pelas organizações?

A maioria continua administrando seus recursos financeiros, sua matéria-prima e seus recursos humanos de forma tradicional. E estão em crise. As empresas que estão sendo bem-sucedidas, nesse início de século XXI, são as que adotam um novo modelo de gestão, colocando o conhecimento no centro de sua estratégia.

Qual o desafio para conseguir fazer a gestão do conhecimento?

São vários, mas a minha experiência mostra que o sucesso depende de dois fatores-chave: patrocínio da alta direção e equipe competente. Se um destes não está presente, dificilmente um projeto dá certo. Muitos falam que os desafios maiores são falta de dinheiro e de recursos humanos. Claro que estes fatores são importantes, mas até mesmo uma pequena equipe, sem muito dinheiro, pode conseguir resultados surpreendentes se é boa e conta com forte apoio da direção.

Você avalia que as universidades corporativas continuarão sendo importantes?

​Uma universidade corporativa não precisa ter prédios e muitos recursos financeiros. A tendência, nos próximos anos, é que elas sejam mais leves, dinâmicas e flexíveis. O essencial é estar umbilicalmente ligadas à estratégia da organização, que monitore continuamente o ambiente de negócios para poder se antecipara às demandas do mercado e desenvolver as competências necessárias para a sobrevivência das organizações. A universidade corporativa não pode se limitar a ser um "departamento" ou o "cérebro" das empresas. Ela deveria ser o coração de uma empresa na sociedade do conhecimento, identificando tendências e tecnologias disruptivas, preparando a empresa para inovar, desenvolvendo produtos, processos e as competências necessárias. O conhecimento não pode continuar a ser visto como algo estático, que fica armazenado numa biblioteca ou na cabeça dos colaboradores. Ele é dinâmico, é o sangue e o oxigênio das empresas do século XXI.