19/05/2017

ABRH-RJ lança Centro de Estudos sobre Produtividade

por Redação

Guerreiro, Denise, Carmen e Donadão participaram do 1º evento promovido pelo Centro de Estudos sobre Produtividade

 

A ABRH-RJ lançou nesta quarta-feira (17) o Centro de Estudos sobre Produtividade. A novidade foi anunciada durante um Workshop promovido na FIRJAN. “Lembro de uma matéria da Exame que destacava a produtividade do trabalhador brasileiro como sendo até quatro vezes menor do que a do americano. É preciso colocar esse cenário em discussão e buscar propostas e soluções. Vamos começar um estudo sobre o tema, mas sempre tendo como foco as pessoas. Queremos tratar a questão do ponto de vista humano”, explicou o presidente da ABRH-RJ, Paulo Sardinha.

A proposta do Centro de Estudos também é compartilhar os estudos e debates promovidos com as seccionais da ABRH-Brasil. A expectativa é que o tema se torne prioritário na agenda nacional.

“Está acontecendo com a produtividade o mesmo que aconteceu, no passado, com a qualidade e a sustentabilidade, quando estes se tornaram fatores de competitividade. Hoje, podemos dizer que a produtividade também o é”, avaliou o diretor da ABRH-RJ e um dos coordenadores da iniciativa, Dorival Donadão,  ao ratificar a necessidade do país priorizar o tema.

O workshop também representou a primeira atividade do Centro de Estudos. A professora da COPPEAD/UFRJ, Denise Fleck, a professora da Fundação Getúlio Vargas, Carmen Migueles e o Diretor de Saúde Integrada e Sustentabilidade do Sistema FIRJAN, Luiz Ernesto Guerreiro abordaram diversas facetas do tema, explicitando a complexidade da matéria. 

Autora de oito livros em gestão, Carmen questionou a incapacidade do Brasil de estar entre os países mais produtivos. Ela citou o exemplo do Japão, que, apesar de sofrer com limitações geográficas e não ter vantagens competitivas naturais, conseguiu dar um salto de produtividade ímpar no século XX e planeja outro para 2025.

Carmem aponta que questões culturais explicam a dificuldade do Brasil de seguir o exemplo japonês. “Temos, devido a questões históricas e da nossa formação como país, a tendência de não confiar em ninguém, o que impede a construção de capital social”, avalia.

Para ela, outro empecilho é a crença de que a mudança deve vir de cima para baixo. Ela defende que a mudança ocorre sempre a partir do nível médio. Mas, para que haja uma transformação, é preciso reduzir a distância de poder, com alinhamento horizontal e liderança adequada.

Especializada em crescimento corporativo, estratégia e mudança organizacional, Denise apontou certas armadilhas que levam as organizações a não alcançarem a produtividade almejada. Um dos erros mais comuns é confundir eficiência e eficácia. Outro equívoco é tomar indicadores agregados por sinais precisos. 

“Também vemos organizações que defendem o princípio de “quanto maior, mais rápido, melhor é”. Isso leva a um crescimento sem estrutura, o que, muitas vezes, resulta no fim precipitado da organização”, observou. 

Para Denise, outra falha costumeira no setor corporativo é a de abordar a questão da produtividade por uma visão econômica. “Assim, vemos empresas que priorizam a eficiência e esquecem a eficácia”, critica.

O impacto da saúde das pessoas na produtividade foi o norte das considerações de Guerreiro. Ele explicou que, no Brasil, diferente do que acontece nos Estados Unidos, a saúde do trabalhador não é um diferencial competitivo. “Enquanto que lá as empresas compram informações sobre a saúde dos funcionários, aqui muitas têm esses dados, mas não os utilizam”, explica.

A falta de programas voltados para a saúde do colaborador gera consequências como absenteísmo e presenteísmo. “Há uma pesquisa que aponta que para cada pessoa que está faltando por doença existe de 3 a 6 que comparecem, mas não produzem por estarem doentes”, relata Guerreiro.

Para ele, a reforma da previdência pode piorar esse cenário. “Como a empresa vai ser produtiva em um ambiente de longevidade de carreira, se as pessoas ficam cada vez mais doentes?”, questiona.

Ele avalia que as empresas precisam mudar a visão da cultura organizacional. É necessário que a saúde seja gerida de forma estratégica, o que necessita do engajamento das lideranças e da comunicação em todos os níveis. O resultado, defende Guerreiro, será uma empresa criativa e inovadora, com ambiente saudável e ótimo clima organizacional.