14/10/2016

O MESTRE SOB O OLHAR DO CINEMA

por Myrna Silveira Brandão


Cara Professora, Caro Professor, estas ideias são dedicadas a você, em comemoração ao seu dia – 15 de outubro.

Entre os muitos personagens abordados pelo cinema, a figura dos professores tem sido uma das mais lembradas. Inúmeros filmes já mostraram histórias tendo como cenário as salas de aula e os relacionamentos entre professores, alunos, pais e comunidade de um modo geral. Muitos já se tornaram clássicos e, por terem sido realizados em décadas diferentes, tiveram, como pano de fundo, circunstâncias e épocas diversas.

Assim, vamos lembrar alguns que certamente ficaram na memória de muitos espectadores e que mostram várias formas da relação professores/alunos.

Um deles, “Sementes da Violência”, de Richard Brooks, foi realizado em 1955, se passa exatamente na época em que foi feito e tem como cenário a delinquência juvenil, uma forte característica do final dos anos 50 e início dos 60.  

A trama é sobre um professor, interpretado por Glenn Ford, que no seu primeiro emprego numa escola de Nova York entra em conflito com um grupo de estudantes de sua classe, na verdade uma gangue de marginais.  O filme é duro ao expor as tensões sociais, os valores da década e a obstinada luta do professor idealista para tentar conquistar seus alunos.

Bem diferente de “Sementes da Violência”, “Ao Mestre, com Carinho”, de James Clavell (1967) é um filme sentimental e seu sucesso surpreendeu até os executivos da Columbia, que distribuíram questionários para tentar descobrir porque as pessoas gostaram tanto do filme.

O filme segue um engenheiro, personagem de Sidney Poitier, que por ser negro, não encontra emprego no seu campo e aceita o lugar de professor num ginásio da periferia de Londres. Os estudantes são pobres e reagem duramente à figura da autoridade, sobretudo por vir de uma pessoa de cor.  Mas ao invés de desistir, como fizeram outros professores, ele utiliza métodos não ortodoxos, consegue aumentar a autoestima dos alunos, o respeito de uns pelos outros e gradualmente ganha a confiança da turma.

Um dos mais conhecidos, “Sociedade dos Poetas Mortos”, de Peter Weir, é de 1989, mas se passa no outono de 1959, numa escola secular e tradicional de Vermont, nos Estados Unidos.  Narra a história do Professor John Keating, interpretado por Robin Williams, que se torna uma figura polêmica e mal vista pela direção e pelo corpo docente da escola, ao despertar nos alunos a contestação contra certas convenções culturais e sociais.

A alma do filme é a escolha entre a liberdade pessoal e o conformismo com paradigmas e normas estabelecidas.  Idolatrado pelos alunos, Keating é perseguido e afastado pela direção da escola que não consegue, contudo, destruir os ideais de liberdade e independência que ele plantou na mente dos jovens estudantes.

São visões diferentes de um mesmo assunto, mas iguais na abordagem do papel daqueles professores que, com inovação e idealismo, levam seus alunos para um mundo de cultura, ideais e criatividade.

Os exemplos são muitos,  mas a mensagem da grande maioria dos filmes que abordam o tema mostra a importância do professor para a sociedade, sua fundamental contribuição para a formação e o desenvolvimento das pessoas e das comunidades onde  atuam e que, na escola da vida, cada dia pode ser um momento e uma oportunidade para novos aprendizados.

Professores são profissionais respeitados, requisitados e, cada vez mais,  imprescindíveis. Neles estão depositadas as expectativas de uma sociedade mais humanizada  e –  como a grande maioria dos docentes exerce seu ofício além dos muros da escola – as esperanças de um mundo melhor.