11/06/2015

A Arte da Gestão de Pessoas

por Leyla Nascimento*

Uma importante diferença separa o artífice do artista: o primeiro necessita de regras e padrões para atingir o seu resultado final.  Já o artista traz em si o talento de criar uma arte a partir do equilíbrio entre razão, inteligência emocional e sensibilidade, sendo capaz de influenciar diferentes públicos, despertando-os para novas formas de relacionamento e reflexões.

Várias das manifestações artísticas como pintura, literatura, cinema e teatro, cada qual a sua maneira, estimulam a persistência, expressão, conectividade com o mundo exterior e autocrítica. Características que, se trazidas para o cenário corporativo, desenvolvem o profissional e o fazem pensar e agir de maneira diferente.

Hoje, ainda percebemos uma relação tímida entre arte, sentimento e trabalho. A arte continua sendo vista como um espaço de livre expressão e o trabalho como um local de repressão dos sentimentos. É necessário romper com esses paradigmas para oferecer uma nova perspectiva de desenvolvimento profissional, de acordo com as tendências desse novo mundo que desafia a todos diariamente. Redesenhar a educação executiva, estimular discussões e a constante busca por conhecimento.

Para colocar esta nova forma de gerir em prática surge a necessidade de se repensar o mundo corporativo e as pessoas que nele atuam. Um ambiente que vivencie e conte histórias, cujo o único propósito seja inspirar o desejo de trazer a arte como um dos alicerces nas demandas e expectativas das pessoas que nele trabalham. Recorrer à arte como base de reflexão, criação e inovação na busca do desenvolvimento do profissional e do crescimento das empresas.

O mundo corporativo traz em si a urgência dos resultados e as reações imediatas às situações. A gestão de pessoas apresenta uma oportunidade de combinar a esse cenário a dose certa de sensibilidade, observação e criatividade para pensar e repensar velhos hábitos, de maneira a inspirar as pessoas a entregarem o melhor de seu profissionalismo, ou seja, produtividade e comprometimento. 

À luz desse racional é que do Líder desses tempos revoltos há de experimentar novas formas de engajar pessoas e para isto não cabe o uso apenas da lógica, mas também empatia. Que não ordene, e sim, crie sentido, norteando seus colaboradores. O maior desafio é ser artista naquilo que faz, tendo como pauta necessária da gestão um bom relacionamento interpessoal.

Tem sido amplamente estudado a questão das relações humanas nas empresas. A Universidade de Harvard confirma, através de pesquisa, que mais de 60% dos entrevistados foram demitidos em virtude de problemas interpessoais, o que representa que 2/3 das demissões nas empresas são causadas por dificuldades de relacionamento entre os colegas de trabalho.

Por acreditarmos que este seja o caminho de uma chamada para refletirmos essas relações nas empresas, independente se são públicas, privadas ou não governamentais, que a ABRH BRASIL traz A Arte da Gestão de Pessoas como tema central e ponto de partida para o maior evento de gestão de pessoas da América Latina e segundo maior do planeta, o CONARH 2015.

Nossa proposta é discutir esses pontos relevantes e apresentar conteúdos e práticas consistentes e inovadoras sobre as tendências que envolvem a gestão, tendo como fonte inspiradora a arte, levando os participantes a obter referências para vislumbrar formas possíveis de conduzir os negócios com resultados crescentes e sólidos a partir das pessoas.

*Presidente da ABRH-Brasil