25/05/2015

Norte Fluminense enfrenta crise econômica após anos de desenvolvimento

por Redação

Uma das regiões do estado do Rio que mais prosperou nos últimos anos, o Norte Fluminense está sofrendo diretamente o impacto da crise do Petróleo. De 2000 a 2010, devido à boa fase do setor de Óleo e Gás e, principalmente, aos investimentos no Pré-Sal, os municípios da região atraíram trabalhadores de todo o país, chegando até, segundo dados do Censo, a duplicar sua população. Somente em Macaé, a estimativa é de que cerca de 63% dos empregos formais são ligados à indústria do petróleo.

Porém, os escândalos relacionados à Petrobras somado ao pessimismo econômico no país mudaram o cenário da região. Cidades que antes ofereciam oportunidades de trabalho, agora enfrentam uma dura fase de corte de custos por empresas que vem provocando demissões. Porém, gestores vislumbram uma conjuntura melhor no segundo semestre.

“A crise será amenizada no segundo semestre, por conta de medidas que o governo terá que tomar para estabilizar o valor de mercado da Petrobrás e a confiança no Brasil novamente, e, com isso, tanto empresas estrangeiras quanto nacionais voltarão a investir na região”, prevê Frederico Freitas, gerente Geral da Isocamp,indústria instalada Campos e especializada em moldagem de EPS.

Entretanto, considerando apenas os números de 2014, não é tão fácil ficar otimista sobre uma possível retomada na economia da região. Macaé, por exemplo, conhecido como a capital do petróleo no país, apresenta um dos quadros mais preocupantes, com reversão significativa na geração de empregos. Cumulativamente, em 2010 e 2011 foram gerados 19.314 empregos. Em 2013 e 2014, o número caiu para menos da metade: 9.107. Já em 2014, o município apresentou déficit de 165 empregos, algo que não acontecia desde 2009.

No segmento de Óleo e Gás – considerando os ramos de extração mineral e indústria de transformação – houve uma redução, em 2014, de cerca de 3 mil postos de trabalho. Nos últimos dois anos houve déficit considerável de empregos neste setor: menos 2.414 em 2013 e menos 471 em 2014. A crise já abate outros segmentos da economia local, como a Construção Civil. De 2013 para o ano passado, este setor saiu de um saldo positivo de 6.384 no número de contratações para um resultado negativo de menos 195.

“Alguns fatores foram decisivos para desenhar este cenário, como o vencimento, em 2011 e 2012, de vários contratos de serviços entre a Petrobras e fornecedores com repactuação de preços dos serviços; a desaceleração das atividades da OGX em 2013, a inexistência de novos leilões de blocos exploratórios entre 2008 e 2012, além da queda da atividade econômica do país”, considera o diretor do núcleo regional Norte Fluminense/Macaé da ABRH-RJ, Raul Machado.

Em São João da Barra, no Porto de Açu houve demissões em obras relacionadas à construção de módulos de duas plataformas da estatal. A estimativa é de que, desde o fim do ano passado, cerca de 500 trabalhadores foram dispensados. A Secretaria Municipal de Trabalho e Renda de Campos estima que a conjuntura econômica é a responsável pelo crescimento de 50% na busca pelos cursos de qualificação profissional oferecidos pela prefeitura.

A ABRH-RJ, por sinal, atenta ao cenário econômico no Norte Fluminense, realizou em fevereiro um encontro com profissionais de Recursos Humanos onde apresentou a profissionais de Recursos Humanos, justamente, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O intuito foi auxiliar as organizações e demais entidades a fazer uma leitura mais clara e segmentada das estatísticas sobre o mercado de trabalho

“Vivemos um momento crítico na economia brasileira e Macaé se tornou um grande ponto de atenção. E a retração já é notada em outros setores, o que é mais grave. Acredito que essa leitura sobre os dados ajuda a fomentar políticas internas nas corporações para minimizar os impactos da crise”, comenta Raul.

Um exemplo de que a crise na região vai além da indústria de petróleo é a demissão em empresas de setores bem distintos como Alimentação. É o caso da Frinorte que precisou desligar cerca de 30 funcionários devido à política de redução de custos. Porém, o presidente da empresa, Ramon Goulart, compartilha o otimismo do gerente da Isocamp. Goulart defende que a turbulência deve diminuir até o fim do ano e que o potencial que o país apresenta na área de petróleo fará com que naturalmente a crise diminua nos próximos meses. A expectativa de licitações da Petrobras para o segundo semestre é outra razão que desperta boas perspectivas entre as empresas.

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Porém, gestores devem estar atentos ao impacto que a crise também traz para os colaboradores. As incertezas econômicas e risco de futuros desligamentos podem prejudicar o desempenho dentro da empresa. Por isso, o que não pode faltar é transparência na forma de lidar com os funcionários que se mantiverem nas organizações, informando e orientando os mesmos. “Há o desafio de fazer com que todos os trabalhadores entendam a situação das empresas, pois 2015 será um ano muito difícil”, afirma a diretora do núcleo regional NorteFluminense/Campos da ABRH-RJ, Karolina Almeida.

Para a diretora da Delcosta RH, especializada em Recursos Humanos, Renata Delfino, é importante que a empresa faça com que o funcionário viva o dia a dia da empresa e seja estimulado a contribuir diretamente com ideias e sugestões para melhoria dos processos internos. Em épocas de crise, afirma Renata, é que se torna ainda mais necessário trabalhar a motivação o individual de cada colaborador, para que se sinta parte integrante do sucesso da organização.

Outra iniciativa defendida pelos gestores é realizar reuniões para troca de ideias sobre a realidade do país e da empresa. “Pode-se aproveitar o momento para transmitir os objetivos da empresa, o papel de cada um, reconhecendo valores e colaboradores comprometidos, para que se continue a crescer e, com isso, não sentir os efeitos da crise”, sugere o gerente da Isocamp.