21/05/2015

Geração C

por *Lucia Madeira

Não, não se trata de mais uma letra para identificar uma determinada geração. Uma boa notícia vem da nova classe média, da chamada classe C. Graças ao aumento da expectativa e da qualidade de vida, vivemos em uma época em que várias gerações se encontram no ambiente de trabalho. A chamada geração Y, que nasceu após os anos 80, caracteriza-se pela conectividade. É uma geração mais ligada à tecnologia e que associa o trabalho a uma experiência de lazer. Outra característica é que essa geração é muito mais colaborativa e quer pessoas em volta, embora valorize o reconhecimento individual, e goste de deixar sua marca. As gerações anteriores prepararam o terreno e enfrentaram um momento de repressão dentro e fora das empresas, no início de suas carreiras. Isso levou a um espírito de mudança, que é a marca da geração X, que nasceu nos anos 60/70. Mas foi a geração dos anos 40/50, os Babyboomers (uma alusão ao boom de nascimentos após a 2ª Guerra Mundial) que desafiou as antigas estruturas e lutou por liberdade.

Por representar a maioria da força de trabalho das empresas hoje, a geração Y está sendo discutida e analisada, na tentativa de aumentar o comprometimento destes profissionais e fidelizá-los. Num mercado aquecido, estes jovens não se apegam às corporações e buscam constantemente novos caminhos. Para o RH, desafiam a tradicional lógica de carreira e motivação e representam custos crescentes em desenvolvimento, desligamentos e recolocações.

No entanto, um grupo da mesma geração se destaca com objetivos completamente diferentes.

Os jovens da nova classe média brasileira, ou classe C, estão aproveitando a indecisão de seus contemporâneos para conquistar o mercado de trabalho. Lutando por melhores oportunidades desde a escola pública, como os primeiros de suas famílias a chegar à universidade, esses jovens não têm dúvidas ou tempo a perder. Representam o sonho de seus pais por uma vida melhor e sabem aproveitar as chances quando aparecem. São estudantes empenhados, trabalhadores dedicados, com valores como a assiduidade, pontualidade e estabilidade. Muitas empresas já perceberam esse potencial e estão investindo no recrutamento e formação destes jovens. Ao invés de faculdades de primeira linha, buscam talentosos bolsistas. No lugar de trainees, aprendizes.

Cabe às empresas integrar expectativas e histórias distintas, criando um ambiente em que essa troca enriqueça a todos, traga sentido para uns e aprendizado para outros. Hoje todas estas gerações e classes sociais convivem no trabalho e já recebem representantes da geração Z (de Zapear), dos anos 90, que já são nativas digitais.

A riqueza destes encontros veio para ficar e a diversidade agora é parte integrante da estrutura das organizações, da gestão do seu conhecimento e de seus resultados. Como no organismo humano, misturar aumenta a resistência, produz anticorpos, prepara para a sobrevivência. E torna a vida organizacional mais multicultural, criativa e divertida.

* Gerente de Recursos Humanos da Fundação Roberto Marinho