21/05/2015

Quanto vale uma boa ideia?

por Paulo Sardinha*

O que vem à cabeça atualmente quando falamos em economia brasileira? Inflação galopante? Resultados negativos da indústria e reflexos negativos no PIB? Desequilíbrio fiscal? Escândalos políticos e seus impactos no mercado financeiro? Sim, todos os assuntos estão em pauta e tiram o sono de milhões de brasileiros. Porém, enquanto o país volta a atenção para este cenário cada vez mais desolador, um mercado ainda cresce acima da média nacional: o da “economia criativa”.

O termo define modelos de negócios que exploram o capital intelectual, um dos bens mais valiosos em tempos de instabilidade, retração econômica e desemprego. E onde estão esses brasileiros que vêm se reinventando e fomentando este novo segmento? O leque é amplo. Em grande parte nas áreas de tecnologia, publicidade, design, editoração, arquitetura, artes e antiguidades, artesanato, moda, cinema e vídeo, televisão, artes cênicas e rádio. Mas o céu é o limite, basta uma boa ideia.

Diretamente ligada à inovação e ao empreendedorismo, a economia criativa segue inabalada diante à crise, gerando por ano R$ 126 bilhões em riquezas e empregando quase 900 mil pessoas no País. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), em 2014 havia 148 mil empresas deste setor. Em 2013, elas já eram 251 mil. Vale ressaltar que os números estão sempre aquém da realidade, tendo em vista que muitos trabalhadores sequer sabem que estão inseridos neste segmento, atuando de maneira ainda informal e sem incentivos. 

Neste ponto encontramos mais um desafio para o atual Governo. Olhar para a economia tradicional – que vem merecendo toda a atenção e esforços hercúleos - sem ignorar o segmento que pode ser a tábua de salvação para muitos brasileiros. Em relação a outros países, como Estados Unidos e China, ainda estamos atrasados na sustentabilidade desse filão. O Governo não incentiva e a população desconhece o real potencial desse mercado. Falta apoio e visibilidade. Estamos apenas engatinhando.

Percebemos isso claramente quando a sociedade ainda associa o termo economia criativa com o setor artístico, uma visão estreita e atrasada.

Hoje, mais do que nunca, é preciso definir políticas de incentivo para quem inova, cria tendências, impulsiona novos mercados, gera empregos e produz receita. Não podemos ignorar um movimento que já apresenta bons resultados e se mostra tão promissor a curto prazo. É hora de refletirmos sobre a seguinte pergunta: neste momento de crise, quando vale uma boa ideia?  

*Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio (ABRH-RJ)