21/05/2015

Um olhar sobre a convergência de propósitos

por João Cândido*

Entre os dias 19 e 20 de maio de 2015 a ABRH-RJ realizará o seu 41º Congresso de Gestão de Pessoas. Conhecido pelo seu histórico de trazer temas e reflexões sobre os dilemas e desafios vividos pela comunidade de Rh e pelos gestores de pessoas em geral, o RH-RIO traz um tema bastante polêmico e relevante: a convergência de propósitos em uma organização. Falar de convergência de propósitos traz alguns desafios para os gestores de pessoas. A primeira grande distinção é que não estamos mais falando de “alinhamento”, que nos remete a uma imagem de complexidade linear, onde quanto maior o ajustamento das pessoas aos objetivos e regras da organização, maior sua sinergia e produtividade.

Falar de convergência significa atrair propósitos de diferentes dimensões e direções. Significa entender a complexidade das redes de relacionamento que se tecem em torno de uma organização e dos diferentes objetivos que ela atende. O RH-RIO 2015 quer fazer com seus participantes uma reflexão sobre a necessidade de uma visão mais sistêmica e orgânica destas relações. É preciso compreender os diferentes anseios das pessoas que convergem para organização e aumentar sua capacidade de atrair propósitos comuns.

Um dos grandes desafios para a comunidade de RH e gestores de pessoas em geral, é ir além do seu ambiente interno de trabalho e dirigir sua visão para todas as pessoas com quem a organização se relaciona. É fundamental ter clareza e ampliar a consciência da organização sobre sua identidade e proposição de valor aos seus clientes e à comunidade em que está inserida. É preciso ainda ser capaz de criar um ambiente interno em que os propósitos pessoais possam ser conhecidos e suportados, ao menos naquilo em que é convergente com os demais.

Outro grande desafio é justamente o de colocar o propósito no centro da gestão estratégica das organizações. Muitos executivos diriam que seu propósito não é outro do que conseguir superar suas metas, muitas vezes representada pela última linha do demonstrativo de resultados econômicos. Em tempos de crise este argumento, efetivamente chave para qualquer organização comercial, tende a ganhar uma relevância exacerbada trazendo vários dilemas para o gestor de pessoas. O Congresso quer refletir sobre o papel estratégico de basear as decisões, em especial em momentos de crise, em torno do propósito principal da organização, sob risco de sacrificar mais do que capacidade de reação, mas sim sua própria identidade.

Três elementos do cenário mais amplo do Rio de Janeiro e do Brasil tornam este tema ainda mais relevante. Primeiro o contexto de redução do ritmo de crescimento e dos investimentos, colocando o desafio da produtividade para as empresas. Embora haja divergência sobre se esta redução é sazonal ou estruturante, as decisões de negócio tendem a ficarem mais nervosas. As questões que se colocam para as organizações são relativas ao que sacrificar e o que preservar da sua gestão. Se os propósitos centrais (inclusive os transcendentes) estiverem ausentes desta conta, pode levar a decisões desastrosas.

O segundo elemento deste cenário é a explicitação de uma crise ética nas organizações (até então remetida apenas ao mundo da política), em que o desvio das suas missões fundamentais e dos seus propósitos se apresenta como a raiz do problema. Os princípios organizacionais devem ser flexíveis? Qual é o limite da adequação ao ambiente e da identidade da organização? Está entre os papéis de Recursos Humanos ser o guardião dos princípios organizacionais mais essenciais?

Por fim, um elemento mais próximo à comunidade de RH, que é a dificuldade sempre crescente de convergir os propósitos pessoais com os da organização, aproximando-os dos valores humanos fundamentais. Esta dificuldade se revela na crise de quadros estratégicos para as organizações. O que remete também a um contexto de forte questionamento do papel do RH entre suas funções transacionais e seu papel estratégico nas empresas.

O RH-RIO 2015 pretende trazer esta reflexão em todas estas dimensões: dos indivíduos, das empresas e da sociedade. Queremos aprender com pessoas que fazem a diferença por dirigir sua vida em torno de propósitos mais amplos e transcendentes. Quais são os dilemas que elas vivem e como criam rede de relações em torno destes propósitos? Conhecer empresas que vêm pautando sua gestão em torno do seu propósito central e buscando uma convergência com os das pessoas (sejam elas colaboradores ou clientes). Por fim, práticas e estratégias dos times de RH e de gestores de pessoas que têm conseguido sensibilizar toda a empresa e influenciar a estratégia, trazendo os propósitos à mesa.

O 41º Congresso de Gestão de Pessoas terá 5 conferências magnas e 16 mesas simultâneas, onde iremos trocar práticas e experiências nos diversos papéis que exercemos dentro das organizações. Todas voltadas para refletirmos em como podemos incrementar resultados, ajudando as empresas a consolidar sua estratégia, as pessoas a buscar suas realizações e aos próprios profissionais de Recursos Humanos a realizar com maior plenitude sua missão principal.

* Diretor de Gente e Gestão do Grupo JCA e membro do Comitê Temático do RH-RIO 2015