21/05/2015

Na busca pela convergência

por Paulo Sardinha*

O cenário econômico do Brasil não é um dos mais otimistas. Inflação acima da meta, queda na geração de empregos, baixo crescimento do PIB e desvalorização do real são apenas alguns dados que deixam a sociedade preocupada com os rumos do país. Soma-se a isso um ambiente político nada favorável, com disputas e enfrentamentos entre situação e oposição que nem sempre visam o melhor para a população. Essa conjuntura contribui para a formação de uma bola de neve. As incertezas podem provocar desmotivação nos profissionais, impactando negativamente na produção das empresas. Se há queda na produtividade, piora a economia, exigindo corte de custos nas organizações. O que acaba significando novos desligamentos de trabalhadores.

Por isso, mais do que nunca, é preciso perceber o quanto é importante pensar em novos paradigmas e buscar soluções criativas que devem fazer parte das práticas diárias de qualquer empresa. Para isso, antes de tudo, é necessário mobilizar os colaboradores para que haja uma convergência de propósitos. Como, então, alcançar a convergência em um ambiente nada favorável? A solução passa necessariamente por ações e iniciativas que valorizem a gestão de pessoas. Sabemos que nem sempre tem sido fácil equilibrar aspirações humanas e organizacionais. Entretanto, pesquisas vêm comprovando que as melhores, mais produtivas e mais bem sucedidas organizações são as que conseguem convergir expectativas e propósitos, conciliando interesses nem sempre uniformes, respeitando a diversidade e questionando modelos de convivências esgotados.

Devemos lembrar que tudo na vida tem uma razão de ser, tem um propósito. Empresas, governos, pessoas, todos têm os seus. E um dos grandes desafios no mundo dos negócios é alinhar e potencializar o que há de comum entre os diversos objetivos. O sucesso passa necessariamente por uma gestão transparente que consiga engajar e ordenar liderança e equipe em toda a cadeia da organização. O tema é tão atual que será debatido por executivos das principais empresas do país no RH-RIO, principal congresso de recursos humanos do Rio de Janeiro, que acontece em 19 e 20 d e maio.

Talvez, fosse oportuno que nossos políticos participassem do congresso. Quem sabe as experiências compartilhadas por CEOs e diretores sirvam como exemplos de que é possível buscar a convergência, mesmo em um ambiente marcado pela pluralidade de pensamentos e realidades. Não é algo fácil de alcançar. Mas, tanto para empresas quanto para governos, a busca por um alinhamento através de uma visão capaz de unir e restaurar conexões contribui para definição de estratégias que favorecem o crescimento do negócio ou do país. Para tanto, precisamos valorizar elementos como confiança, ética, competitividade sadia, engajamento, colaboração e criação de valor.  

*Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ)