30/01/2015

Levantamento aponta o que retém os profissionais

por Redação

Atenta à movimentação de profissionais no mercado de trabalho, a Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio (ABRH-RJ) realizou uma pesquisa para compreender quais são os principais fatores que retém e afastam os funcionários das organizações. Participaram da pesquisa 352 profissionais, sendo 50% da geração Y (até 30 anos de idade), 41% da geração X (entre 30 e 50) e 9% dos chamados baby boomers (acima de 50). De uma maneira geral, embora os salários estejam representados na pesquisa como o ponto principal de atração e retenção (com 39% das citações gerais), a fidelização dos profissionais passa, fundamentalmente, por um ambiente de trabalho positivo (38%), oportunidades de desenvolvimento (37%) e perspectiva de crescimento (35%).

Os fatores que menos pesam na decisão de permanência nas empresas, também numa visão global dos dados, são os programas de participação dos lucros/resultados (15%), a possibilidade de incentivo financeiro para cursos e instituições de ensino (9%) e de trabalhar em home office (5%). “Percebemos claramente com o levantamento que a atenção à pessoa e ao seu desenvolvimento, a formação humanizada dos gestores e o clima da organização se mostram como ponto central e crítico, devendo a área de RH concentrar seus esforços neste sentido”, destaca a diretora da ABRH-RJ, Ieda Vecchioni.

A ABRH-RJ também analisou os dados por geração. Considerados mais inquietos e imediatistas, os profissionais da geração Y se confirmaram como um desafio para a área de Recursos Humanos, um ponto fora da curva. Isso porque, ao contrário das outras gerações, avaliaram como itens mais importantes o salário (47%), a perspectiva de crescimento (42%) e as oportunidades de desenvolvimento (41%). Ambiente de trabalho apareceu em quarto, com 38%. “São profissionais movidos a desafios, que têm habilidades para aprendizado de novas tecnologias, na utilização de mídias sociais e para trabalhar em rede. Buscam reconhecimento e crescimento rápidos na carreira e são sempre um ponto de atenção e de estudo para nós”, comentou Ieda. 

Já para as gerações X e boomer, os rankings se desenharam de maneira semelhante. Para a geração X, as prioridades se apresentaram da seguinte forma: ambiente de trabalho positivo (37%), relacionamento saudável com as pessoas da empresa (36%) e oportunidades de desenvolvimento (32%). Salário ficou em quinto lugar, com 29%. Os boomers também não priorizaram salário e ascensão como pontos cruciais. Para este público, “trabalhar com algo que tem a ver com o propósito de vida” é fundamental (44%). Ambiente de trabalho positivo também alcançou este mesmo percentual nas citações. Em seguida, apareceu o item salário, com 36%.

Os dados permitiram ainda que os analistas fizessem a seguinte projeção: 62% dos participantes da geração Y provavelmente procurarão outro emprego nos próximos 6 meses. Este percentual cai para 41% na geração X e, para 36%, na geração baby boomer. Mesmo não permanecendo na corporação, 67% dos profissionais Y a indicariam para conhecidos, o que aconteceria com 45% dos participantes do grupo X e 48% dos boomers.

“A pesquisa é um importante desenho do mercado de trabalho atual, mostrando, além dos resultados globais, os perfis por geração. Hoje, o profissional de Recursos Humanos precisa ter um olhar multifuncional e ações focadas para cada público. O mercado vem se renovando e as corporações precisam acompanhar de perto este cenário”, conclui o presidente da ABRH-RJ, Paulo Sardinha.  

O estudo foi realizado durante os meses de outubro e novembro, pela internet. Dos participantes, 67% declararam ter pós, mestrado e/ou doutorado, 30% ensino superior e 3% ensino médio. Uma fatia de 77% ganha mais de quatro salários mínimos. Do grupo, 84% são de empresas privadas e 68% estão em cargos que vão do estágio à coordenação, passando por assistente e analista. Entre os ramos empresariais, 71% são da área de serviços, 16% do comércio e 13% da indústria.

“A ABRH-RJ tem entre suas diretrizes o desenvolvimento de estudos e pesquisas que sirvam como fontes de informação e conhecimento para o setor. Acreditamos que fatos e números são fundamentais para o melhor entendimento das dinâmicas do mercado e para nortear as ações dos profissionais de Recursos Humanos”, ressalta Paulo Sardinha.

O que esperam as gerações:

Baby Boomers:

  •          Relação do trabalho com o propósito de vida (44%)
  •          Ambiente de trabalho (44%)
  •          Salário (36%)

Geração X:

  •          Ambiente de trabalho (37%)
  •          Relacionamento saudável (36%)
  •          Oportunidades de desenvolvimento (32%)

Geração Y:

  •          Salário (47%)
  •          Perspectiva de crescimento (42%)

         Oportunidades de desenvolvimento (41%)